Mais de 86 horas após vazamento de gás tóxico, tanque de empresa segue sob resfriamento em Manaus
Mais de 400 pessoas vão para hospital após vazamento de gás em Manaus Equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) seguem resfriando, neste domingo (19)...
Mais de 400 pessoas vão para hospital após vazamento de gás em Manaus Equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) seguem resfriando, neste domingo (19), o tanque de armazenamento de monômero de estireno onde ocorreu o vazamento de gás considerado tóxico na fábrica da Innova, no Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus. A operação continua mais de 86 horas após o início do incidente. O vazamento foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), na Unidade IV da Innova, após o monômero de estireno armazenado no reservatório apresentar elevação anormal de temperatura. A empresa classificou a ocorrência como uma "emergência química" e informou que acionou os protocolos internos de segurança. Por segurança, o perímetro de isolamento de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa segue mantido. Os bombeiros continuam utilizando equipamentos a laser para monitorar a temperatura interna do tanque enquanto realizam o resfriamento da parte externa. As equipes também realizam a sucção interna do gás. Em nota divulgada neste domingo (19), a Innova afirmou que a temperatura do tanque está controlada, sem a emanação de vapores ao ambiente. No domingo (19), bombeiros continuam resfriando tanque onde ocorreu vazamento de gás em Manaus Jadson Lima/g1 AM A Prefeitura de Manaus informou que um drone equipado com câmeras térmicas identificou uma fissura na bacia de contenção do tanque e constatou a continuidade do vazamento. Após a inspeção, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) interditou parcialmente a unidade industrial. A Innova foi multada em mais de R$ 22,4 milhões. A Prefeitura aplicou duas multas, que somam cerca de R$ 9,9 milhões, por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico. Já o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autuou a empresa em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental devido à poluição atmosférica causada pelo incidente. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), 213 pessoas receberam atendimento relacionado ao incidente em unidades da rede estadual. A última atualização ocorreu na tarde de sábado (18), quando a pasta informou que um paciente que estava em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foi transferido para a enfermaria. Na sexta-feira (17), a superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Amazonas, Francinete Lima, informou ao g1 que a Innova manteve a produção da fábrica de forma ininterrupta por pelo menos 48 horas após o vazamento para esvaziar o tanque onde ocorreu o incidente. De acordo com ela, a empresa informou ao órgão que o produto armazenado no reservatório danificado continuava sendo utilizado no processo produtivo para acelerar o esvaziamento da estrutura. Moradores e trabalhadores relataram sintomas Moradores e trabalhadores que vivem ou atuam nas proximidades da empresa Innova relataram ao g1, na noite de sexta-feira (17), que sentiram mal-estar após o vazamento de monômero de estireno registrado na quarta-feira (15). Entre os sintomas citados estão náusea, dor de cabeça, irritação nos olhos, aperto na garganta, falta de ar e diarreia. A doméstica Rosivete Ferreira, de 63 anos, disse que começou a sentir os primeiros sintomas na manhã de quinta-feira (16), horas após o vazamento. Ela afirmou que o forte odor da substância continua sendo percebido na região. “Eu senti náuseas, muito enjoo, um aperto na garganta e dor de cabeça. Meu olho ficou parecendo que estava cheio de pimenta, ardendo demais”, relatou. Moradora de uma região próxima ao local do vazamento, ela afirmou que não procurou atendimento médico e disse que manteve a casa fechada durante parte do dia por causa do cheiro. Já o ajudante de caminhão Luiz Ferreira, que trabalha em uma empresa instalada nas proximidades da Innova, também afirmou ter apresentado sintomas após o vazamento. Ele relatou, ainda, que colegas de trabalho passaram mal durante o expediente, mas as atividades não foram interrompidas. “O pessoal começou a correr para o banheiro. Quando cheguei em casa também passei mal. Tive dor de cabeça e diarreia”, afirmou. Os relatos feitos ao g1 descrevem sintomas compatíveis com os efeitos da exposição ao monômero de estireno apontados pela chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. Segundo a especialista, a substância é tóxica e a inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas. A pesquisadora explicou ainda que o estireno é armazenado na forma líquida, mas evapora rapidamente e, ao se tornar gás, pode se espalhar por grandes distâncias. Ela também alertou que, dependendo da concentração da substância na atmosfera, a chuva pode reagir com o produto e formar compostos nocivos e estireno líquido, aumentando o risco de contaminação ambiental. O incidente O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa. O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Segundo especialistas, a exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea. Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura. Vazamento de gás tóxico em Manaus já deixou 414 pessoas atendidas e alerta para danos ambientais reprodução JN